Medo, contas atrasadas e o início de uma nova carreira

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Entrevista para o Arado Literário, no lançamento do livro físico, em abril de 2017

O mês de outubro de 2017 marca 1 ano do início de uma nova carreira para mim. Foi em outubro de 2016 que decidi fazer uma curva de 90 graus e colocar 25 anos de jornalismo a serviço da ficção literária.

Trocar as redações e as histórias reais, pelo antigo sonho de ser escritor pode, a princípio, não parecer uma escolha tão difícil. Mas fazê-lo aos 44 anos, sem uma retaguarda financeira, e com uma família que depende de você, acredite, dá um medo danado…

Além do medo, as contas atrasam, a autoestima fibrila, a culpa corrói, o corpo padece. Não é poesia não. É real. Então por que insistir nessa loucura? No meu caso, porque é a minha verdade. Foi escrevendo que comecei minha vida profissional. Foi escrevendo que conquistei a mulher da minha vida. É escrevendo que me sinto vivo.

A força que veio dos leitores

É claro que a decisão de encarar a nova carreira não poderia simplesmente se basear no conceito romântico da “minha verdade”. O primeiro passo era saber se essa verdade encontraria eco do outro lado. Se o que eu tinha para contar afetaria leitores. Foi quando percebi que para me lançar como escritor eu teria que me expor.

Não se pode decidir ser escritor e simplesmente achar que isso te faz escritor. É preciso que haja reciprocidade. Como bem disse Joseph Conrad, a magia de um livro só acontece quando há cumplicidade entre autor e leitor.

Por isso escolhi uma plataforma digital, o Wattpad, para publicar meu primeiro livro. Publiquei de forma gratuita e acompanhei a reação de leitores tão desconhecidos quanto eu. Foi o auge do meu medo. Como um jogador, que aposta suas últimas fichas e congela diante da roleta, publiquei minha história e aguardei.

As reações vieram. Leitores do país inteiro e até de outros países se manifestaram. Estavam ali comigo, reagindo à minha loucura e fazendo eu me sentir vivo. Era a chancela de que eu precisava para a publicação do livro físico, lançado em 23 de abril de 2017.

Um segundo livro no forno

As contas ainda atrasam. A autoestima ainda requer cuidados especiais. Os freelas como redator me obrigam a trabalhar 20 horas por dia. Mas, ainda assim, me sinto mais vivo do que nunca.

Trabalho em casa e escrevo todos os dias. Termino minha pós de Planejamento Estratégico em Marketing Digital e Midias Sociais no fim deste ano. E adivinhe qual o tema do meu TCC? É sobre as ferramentas necessárias para projetar um escritor independente, ainda desconhecido, e sua obra.

Quando me perguntam “o que você faz” já consigo responder com mais naturalidade “sou escritor”. E, enquanto  escrevo meu segundo livro, vou pedindo a Deus que me dê saúde, determinação e cada vez mais leitores.

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